Li hoje no sítio da Internet do Jornal de Notícias um artigo bastante interessante intitulado Teste caseiro lê segredos dos genes. O texto fala de um novo produto, de origem norte-americana, intitulado 23andMe. Considerada a criação mais importante do ano transacto pela conceituada revista Time, o inédito produto vem subindo as suas vendas no mercado português. Trata-se de um teste caseiro que descodifica o genoma humano a partir da saliva. Deste modo, segundo o título do artigo supracitado, «lê segredos dos genes».
Quem utiliza o artigo poderá saber a sua propensão para desenvolver artrite reumatóide ou psoríase, bem como outras doenças.
O produto é, convenhamos, passível de criar alguma polémica.
Eis um excerto do artigo supracitado, que não poderá perder:
Os testes para descodificar o genona e detectar, por exemplo, tendência para o desenvolvimento de diversas patologias não são novidade. O que é inovador nesta empresa [...] é proporcionar um serviço simples e de preço acessível. A aposta num custo bastante mais baixo do que o habitual traduziu-se numa procura global, o que permitiu baixar o preço inicial de mil dólares para 399 (cerca de 280 euros).
Portugal está entre os países onde o serviço está disponível. Fonte da empresa confirmou ao JN que contam com portugueses entre os seus clientes, mas recusou dizer quantos, alegando a política de privacidade da companhia.
Mas, afinal, o que os genes podem dizer sobre nós próprios? Informações curiosas mas não muito relevantes, como a cor do cabelo ou dos olhos, e outras que podem ser de importância fundamental, como a tendência para desenvolver um número muito alargado de doenças. Diabetes tipos 1 e 2, artrite reumatóide, doenças de Crohn e de Parkinson, cancros da mama e da próstata, psoríase e resistência à lactose são alguns dos quadros médicos que podem ser previstos a partir da leitura do ADN (ácido desoxirribonucleico, onde está armazenada toda a informação genética que herdamos dos nossos ancestrais).
Não se trata, contudo, de previsões absolutas, mas antes de tendências que, combinadas com muitos factores como o estilo de vida, podem ou não concretizar-se. A descodificação do genoma humano (conjunto de sequências de 23 pares de cromossomas existentes no núcleo de cada célula) abriu novos caminhos em áreas como a medicina, a farmacoterapia e a investigação criminal. Num futuro que adivinha não muito distante, será possível seleccionar tratamentos com base na configuração genética do indivíduo e até fabricar medicamentos à medida. Mas, também se receia que essa preciosa informação passe a ser usada para fins menos benignos, como impedir a realização de seguros ou, em casos mais extremos, para discriminar no acesso a emprego. [...]
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